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P. Adelino Ascenso, sobre "Silêncio"

Entrevista ao padre Adelino Ascenso, missionário no Japão, sobre o romance "Silêncio", transmitida no programa Ecclesia na segunda-feira, dia 16/01/2017.

 

Para Shusaku Endo, o silêncio no romance Silêncio não é a ausência de palavras ou da mensagem de Deus em face do sofrimento. O sentido é, sim, que dentro do «silêncio» existe uma voz escondida que devemos aprender a escutar, sinais ocultos que devemos aprender a decifrar. Isto é o murmúrio de Deus por detrás do silêncio.

O autor sugere que o leitor considere a interrelação entre religião e literatura como gémeos siameses sentados em frente um do outro. O julgamento da obra literária de acorco com o ponto de vista teológico é embaraçoso para os escritores. De facto, religião e literatura não são antonímicas mas sim correlativas. Colocam-se questões mutuamente e a literatura expressa competentemente as investigações sobre o homem e sobre a alma, sendo um meio de exprimir o inexprimível e de perceber o sussurro de Deus por detrás do silêncio.

É o próprio Shusaku Endo a referir que, depois do romance Silêncio, se sentiu na obrigação de escrever mais concretamente sobre uma imagem de Cristo que fosse captável pelos seus compatriotas japoneses. Ele necessitaria de sete anos para sistematizar esse Cristo que ele descobrira em Silêncio e para o apresentar de forma convincente e positiva nas suas obras posteriores. Poderá dizer-se que Silêncio representa como que o eixo teológico da sua obra literária.

Neste eixo teológico, os temas são em grande número e intensos. O seu Cristo – que Rodrigues abraça depois da sua «conversão» – é maternal e possui uma esmagadora compaixão; Ele perdoa aos seus traidores no passado e também aos frágeis, aos fracos e aos cobardes ao longo dos tempos. Ele é um ícone do perdão, tal como uma mãe que esquece as faltas dos seus filhos, por mais graves que elas sejam.

O seu Cristo é companheiro. Este atributo está alicerçado na fé cristã da presença do Ressuscitado e está de acordo com a tradição japonesa do samurai, o qual estava sempre e totalmente ao serviço do seu senhor. O convertido passa a servir Cristo, o seu Senhor. George Bernanos afirmava – pela boca do protagonista do romance Journal d’un curé de campagne à condessa – que não há ninguém que não esteja ao serviço de alguém[1].

O seu Cristo é não-triunfalista. A sua teologia do Cristo fraco e não-triunfalista segue na esteira de teólogos como Kanz? Uchimura (1861-1930), Toyohiko Kagawa (1888-1960), Kazoh Kitamori (1916-1998) e Kosuke Koyama[2], os quais já tinham iniciado o estudo de um género de cristianismo diferente do cristianismo eurocêntrico, uma vez que este lhes parecia, com frequência, associado a poder, colonização e opressão.

A evangelização começou, com frequência, a partir da imposição de uma imagem estereotipada de Cristo, procurando-se, posteriormente, adaptar realidades culturais a esta sólida imagem. Ao contrário, o ponto de partida terá de se encontrar nos fundamentos da natureza humana. As energias devem ser concentradas na área da pré-evangelização, preparando-se, assim, o terreno antes da sementeira. Esta foi a mensagem mais significativa no contributo da ficção de Sh?saku End?, a começar pelo romance Silêncio, uma verdadeira obra-prima.

[1] «Si haut que la richesse ou la naissance nos ait placés, on est toujours le serviteur de quelqu’un». G. BERNANOS, Journal d’un curé de campagne, Préface inédite d’A. Malraux, Paris 1936, 2006, 171.

[2] Cf. E. MASE-HASEGAWA, Christ in Japanese Culture, 127.

 

 

 

 
 

 
 
 
 
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